sábado, 11 de dezembro de 2010

"Ampulheta de sal"

"I"

Sonhei na manha de mertiolate
e ela disse:
- va p'ro inferno!
E então acordei nesse calor infernal!

meio dia e trinta e sete?
"uma e sete"


Entre as folhas verdes da goiabeira:
a intersecção do lar.

Fumaça entre a devastação da lagarta

Cortei minhas franjas;
Amanheci na noite anterior;
Vi o espetaculo da alvorada.

Pardais cantam: a luz do sol pinta,
"no céu um novo quadro todo dia"

*

Ignore o calendario tradicional
Siga sua própria chance
Acorde no relógio solar!

Não existem datas:
momentos são açucar n'água


II

Passaros da introdução
lingua, óleo: exatidão
serpente, erva e adão

Flutua entre as fases da lua:
Muda tua nua!

escuta
ignora
difame
ame

O demônio exilado no céu:
que da noiva dispensa o véu

....e  o vento do norte sussura:
- veste sua ingratidão astuta

se preza: menospreza

III

rã, cano, moto
satá, leviatã, irã

sequestro de ossos
alarme de impostos

sal, mal, sinal

ressaca é falta de sono desidratado!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

"tampa "

abre o liquido
fecha a vida
solta a enclausurada
*
pousa no mosquito
cai pro lixo
 aceita acerta concorda
*
metal, ferrugem e lã 
vidro, vinil e flamboiã
pode ser embriagar-se ouvindo passaros
*
do refrigerante
da cerveja
do caixão
do perfume
da báu
da exatidão
*
cerejas, galhas e pavoes
fumaça, alcool e alcatrão
ampulheta do tempo caida no chão
a tampa do vão do clarão da escuridão
de dia perfeita colorida pedra
nicotina grama e asfalto
insonia, estrelas e insetos
tampa de vulcão
preciso fabricar um remedio pro sono
*

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

"A Era" (Part I)

A Felicidade Extravasa,
A Tristeza Aperta,
 A beleza Oculta.

O Mistério Se Esconde,
O Incenso Perfuma,
Ao Redor da Espuma.

Da Água Escorre,
Do Ar Respira,
Da Terra Brota.







quarta-feira, 3 de novembro de 2010

olreb
(elias)

Os anos 80 foram apenas uma dezena;
novembro não passou do ultimo mês;
alugo traças alérgicas a livros;
compro prendedores sem varal;
vende-se tapetes de teto
tropeça na luz escura;
recebe  o diagnostico tardio;
semente plantada no ar;
escadaria rumo ao calabouço dos deuses banidos;
veja o javali da mediocridade;
encobre o pulo solto do céu;
abre o cadeado da libertação e la esta: O pernilongo da traição,
em meio agulhas entulhos e pães


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Glória Cerveja
(elias)


O Complemento da alma e
O sorriso da Lama
são como o cuspi da Lhama
=
Garrafas vazias
estragam o dia
+
O caminho do Bar
é um ninho no mar
<>
O camaleão e o camarão
nunca saberão


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

“Pele de lagarto”
(Elias)
A jornada da lama
O jardim do jornal
A gota de plástico
O argumento do tumulto
A imensidão do dado
A exatidão da baderna
A imaginação da janela
A fechadura do sol
A costura paterna
~
O
Esqueleto Obsoleto"
(Elias)

Quando  era jovem
 passava o tempo
cavalgando a  imaginação
   =
Quando era idoso
era caridoso
=
Quando era  embrião
 era um em um milhão
=
Quando era um defunto
 envolto em flores
nao tinha cores
§

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

U-ga U-ga
(Elias)

U-ga U-ga
Uga ug-a
U-ga Uga
g
Uga U-ga
Uga- uga
a
U-ga -uga
Uga u-ga
u-ga- uga
U

Lendo Paredes

Lendo Paredes
(Elias)

].[
Sangria meu rosto,
Beija minha lastima,
(.)
Escreve na parede
É algo perturbável
).(
Me livre de mim mesmo
Afasta-me de mim

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

)
Na Lua, Na Seca?
(Elias)



I
Fora de controle;
Equilíbrio de domingo;
Arranca tua cara;
Esfrega teu sol;
Empolga tua lua;


II


Alegria de natal;
Silencio de maremoto;
São sussurros num velório!


III


A ave que capturou aquela víbora,
Morta dos céus caiu;
Dentro da fossa do Juremar*


IV


Na água do mar vai se casar;
Escama, brilho e sol do azar.


V


Brilha a lua sua nua;
Espelho e tubarão;
Barba de camarão


.
VI


Essas garrafas os embriagaram!
- Vazias não.


VII


Pérola vazia;
Esconde a agonia,
da Sereia obesa.


VIII


“nada na lua¹!;
seca²?,
nada¹!,
na lua seca²?.”
´~'´~'´~'´~'´~'´´'~´'~´'´~'
O
InvernoVernal 
(Elias)
‘´~’´~’
Atravessando o atlântico
As águas e os sais
Os sois e os anzóis
‘~´~´´
Vê-se a penumbra
e a fenda profunda.
~’´~
A Curiosidade dos Gatos
(Elias)
~’´~

A insistência da coruja,
E a persistência da aranha,
São desnecessárias ao macaco.
~’´´~
A visão da minhoca,
E a atenção da serpente
Não têm precedentes
‘´~’´~
O quero-quero no ar
A baleia no mar
E o boêmio  no bar.
´´~´´~
O mandruvá e o curió
Desfaz um nó num só.

A Felicidade dos Sapos



A Felicidade dos Sapos
(Elias Roqueiro)

Esperando a chuva
Debaixo da terra
Seu ronco desperta
Na primavera.
#
Batráquio de pele nua
Sem cauda e de corpo obeso.
Anuro
*
A tempestade é sua princesa
Seus besouros são encantadores.
$
Sua saudade é salgada
Mas quando ela chega
Seu gargarejo é maestro.



Berenice Bem Te Olha
(Elias Roqueiro)

O pó de café acaba no tanque
A barba do suor
A água milenar

Mãos sujas lavadas pelo cheiro
Tremendo na Terra o Aventureiro
Na certa larapia de corre.


A Penumbra e o Breu

A Penumbra e o Breu
(Elias Roqueiro)


Maldição dos casais
Trovões na noite sem lua
Corrosão da poeira
*
Pez negro
Substancia análoga,
Artificial.

Cibele e a Roseira Amarela



Cibele e a Roseira Amarela
(Elia Roqueiro)

Toda manha ela grita
Seus cães uivam
E sua mãe sofre de chagas
*
Toda tarde ela chora
Vai embora
E se cala
*
Toda noite ela geme
Ela teme
Ela treme.

“El Chupa-Cabras”

“El Chupa-Cabras”
(Elias Roqueiro)

Uiva p’ra lua apagada
Esfarrapa o bojo da lebre
Persegue carneirinhos fedorentos

Deixa pena nos seus rastros sorrateiros
Absorve o sangue da galinha
Deixa só a cabra no couro.

_____________________________
"El Chupacabras"(Rocker Elías)
Luna P'ra aullidos de
Jirones bulto liebre
Persigue malolientes ovejas

Vamos a piedad sus huellas astuto
Absorbe la sangre de pollo
Por no hablar de la piel de cabra.

28.09.10 00:22

Sono

Evitando o Sono
(Elias Roqueiro)

Madrugada
Madruguei
E acordei.
*
De manha levantei
E deitei

"A Sombra do Abacateiro"


(

"À Sombra no Abacateiro"
(Elias Roqueiro)

Naquelas tardes vazias
Ele era única companhia
E debaixo dele eu ficava
E de sua sombra gozava
Suave frescor
Refugio do calor.
*
Pra estragar minha alegria
Alguém anunciava o fim do dia
E à minha casa me recolhia
Para acordar no outro dia
E começar mais uma tarde vazia.

“O Doce Prazer Amargo”


“O
Doce Prazer Amargo”
(Elias Roqueiro)

A necessidade transbordou
Antes  do começo da procura.
E daí: o conhecimento do gosto
Veio à seu desgosto.
*
Que doce prazer,
Que gostoso delírio.
Dormir e acordar faziam parte
Da janela do alarde.
*
E aí que o descuido ocasionou suas bazófias
E então: tudo era diversão,
E após: todos éramos nós
E enfim: no desprezo encontrou-se um fim.

(

Um Escuro

§


Um Escuro
(Elias Roqueiro)

É frio
Amargo
É mortal.
£
É letal e sarcástico
Come sal.

Terça-Feira

Terça-Feira
(Elias Roqueiro)

Tem gente com cara de terça
Tem terço que acaba mais cedo
Tem gesso na boca da meia
*
Tem vão que não há que se queria
Tem chão de asfalta e poeira
Tem grão que não cai na sequeira
*
A cerca que tudo cerceia
Acerca da rês que parteja
A seca de lã industrial


Sorriso Amarelo

Sorriso Amarelo
(Elias Roqueiro)

De saúde fraca,
Franzino,
Sofredor de uma rara febre glandular,
Page preferia os estúdios.

Chegou a largar a estrada varias vezes
Graças a freqüentes e irreais desmaios em público

Voltou aos estúdios e à escola de arte.
Mas seu métier era o melhor do mundo na época.

Fez gravações para os Stones,
Para Burt Bacharach²,
E é dele a guitarra na versão de
“whit a little help from my friends” de Joe Cocker.

Teve aulas de harmonia com o melhor guitarrista de jass da Inglaterra
Jonh McLaughlin.

Antes dos 20 anos de idade,
Já dispunha a torto e a direito das afinações modais de guitarra que aprendera viajando à Índia de carona e mochila nas costas.